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Os problemas da justiça portuguesa - brnd.ws

Os problemas da justiça portuguesa

Este post antecede uma série de posts que pretendo dedicar à política, portuguesa e americana. Ou talvez deva dizer à política enquanto ciência. Continuemos.

Cada vez leio menos jornais. Há uns tempos atrás ainda me dedicava a ler artigos completos mas agora, entre que tenho coisas mais interessantes para ler e que a qualidade jornalística tem decaído enormemente, fico-me pelos títulos e talvez um parágrafo. E sendo assim, é cada vez mais raro ler uma notícia até ao fim. Aconteceu hoje quando folheava (virtualmente, entendamo-nos) a primeira página do Público.

Titulava a notícia “Figuras cimeiras da Justiça discutem ‘problemas e bloqueios’ do sistema”. As aspas nos problemas e bloqueios não são minhas e espero que sejam sinónimo de citação e não de sentido figurado. Como é cada vez mais frequente, o desenvolvimento do artigo praticamente nada acrescentava à notícia, excepto dizer quem eram as figuras cimeiras representadas. Fica por saber se a ausência do provedor de justiça se deveu a lapso do jornalista ou de quem convocou a reunião.

Esta notícia tem 3 problemas que passo a explicar:

  1. Ao fim de quatro anos de mandato, este governo convoca uma reunião para discutir problemas e bloqueios, ou seja, uma reunião de diagnóstico – a primeira do género. Se a mim me contratassem para dirigir uma empresa e eu pedisse, pela primeira vez ao fim de quatro anos, uma reunião para diagnosticar os problemas da empresa, eu não teria o privilégio de dirigir essa reunião: seria despedido. E nem sequer por incompetência mas por incúria, rescisão com justa causa portanto. Alguém que faz uma reunião de diagnóstico quando está de saída só pode ser negligente ou andar a gozar com a nossa cara. Ambas são opções críveis.
  2. O segundo problema é patente com uma simples pesquisa no Google. Faça você mesmo: vá ao Google e pesquise ‘problemas da justiça em Portugal’. São páginas e páginas de artigos e opiniões sobre estes problemas, incluindo diagnósticos feitos por este mesmo governo, por todos os governos anteriores, por todas as figuras cimeiras da justiça e até pelo cardeal Policarpo que nisto de opinar ele opina sobre tudo. Ou seja, o diagnóstico está feito há muito tempo e é ridículo que se pretenda tapar quatro anos de insucessos com esta reunião única que supostamente vai dar indicações preciosas ao novo governo. As mesmas indicações que este governo já recebeu quando chegou ao poder e com as quais nada fez.
  3. Quais foram os resultados desta reunião tão importante? Zero! Népia! A malta saiu da reunião sem dizer nada excepto o bastonário, que tem sempre que dizer alguma coisa, e que falou para dizer nada. Ficámos a saber que ao fim de todos estes anos a discutir os problemas da justiça, esta malta, estamos a falar das figuras cimeiras da justiça, não é capaz de produzir uma conclusão ao fim de umas horas de reunião. Lamentável porque representa tudo aquilo que tem sido o problema da justiça em Portugal, a luta por manter o status quo das várias classes envolvidas nesta guerra.

Image: “All shall be equal before the law” by siobhanm_baxter on Flickr

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