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Polvo à Portuguesa - brnd.ws

Polvo à Portuguesa

Segunda revista da semana, e que semana! O prato do dia é, como não podia deixar de ser, polvo. Fresquíssimo, cozinhado à moda da casa como só nós sabemos. Mas temos mais pratos disponíveis no menu.

Polvo à Portuguesa. Como eu estou a ficar velho, já posso usar a expressão “os mais jovens provavelmente não se lembram disto” mas o Polvo original que o Sol plagiou é a máfia italiana. A alcunha foi tornada famosa pela óptima série italiana La Piovra dos anos 80 em que um comissário tentava sem sucesso destruir a máfia siciliana. O polvo à portuguesa não mata ninguém e vendo aquilo de que é capaz eu diria mesmo que ou é um polvinho pequeno, daqueles que não dá para filetes, ou então já alguém lhe arrancou tentáculos. Porque vamos pôr os factos na mesa. A imprensa está a acusar o governo de ser um polvo do jornalismo. Espera aí, deixa-me ler de novo a última frase. O governo está a ser denunciado pela imprensa que o próprio governo domina com os seus poderosos tentáculos. Humm… que polvo este! Mas o plano era genial. O governo ia comprar a TVI, Público e a Cofina mas esta só porque tinha que ser. Espera aí, só porque tinha que ser? É que senão a malta desconfiava. Tipo, humm… o governo comprou a TVI e o Público e deixou a Cofina de fora? Isto cheira a esturro…

Justiça à lagareiro. O meu saco de boxe preferido volta à ribalta pelas razões e argumentos de sempre. O circo a que se tem assistido tem uma génese – um sistema de justiça falhado. Num Estado de direito, um juiz não pode emitir opiniões baseadas em escutas legais ou não, um político acusado de censura tem que ser acusado e considerado culpado ou inocente, os jornais não podem sistematicamente publicar factos em segredo de justiça, os jornalistas não podem andar por aí a acusar malta sem sofrerem consequências. Isto são só uns poucos aspectos que me vêm à cabeça sem pensar muito. Num Estado de direito o circo desta semana era um caso de justiça já resolvido há muito tempo. Como a justiça não funciona para ninguém, toda a gente se julga no direito de a fazer por suas próprias mãos. O resultado é um ambiente podre. Eu nunca tive que viver com alguém que me enganou e eu perdoei mas imagino que seria algo como o ambiente que se vive hoje no nosso jardim.

Espuma de demissão de sócrates em redução de cavaco. É óbvio que o primeiro ministro não tem condições para se manter no cargo. PM para a rua por incompetência. Quis comprar a TVI e não conseguiu, quer controlar o DN mas os gajos continuam a publicar factos inconvenientes, o Sol e o Público é que se vê, controla o Oliveirinha a ver se o Benfica ganha alguma coisa e vem o Braga e põe-se primeiro. Senhor primeiro ministro, o seu polvo só em bom para tapas, frito e comido de uma dentada. Tenho uma coisa clara. O PM devia propor-se aumentar a despesa e o défice amanhã e levar este país para o buraco. Com a competência com que ele trata estes dossiers, era da forma que Portugal resolvia os problemas com que se debate há anos. Já agora uma pequena nota. Aqui há uns anos o PR demitiu o PM por incompetência e largamente apoiado pela imprensa, agora ninguém diz que o PR tem que demitir este PM por razões muito mais graves. Adoro a coerência da nossa imprensa. E entretanto o PR está caladinho a ver se ninguém se dá conta dele antes das eleições. Para ter um fantoche podíamos lá pôr alguém que pelo menos dissesse umas piadas ou então uma gaja boa.

Filetes de imprensa com arroz do mesmo. Vamos aos factos. Os factos dizem que o governo controla a PT e indirectamente dois canais de TV minoritários (já lá vai o tempo), dois jornais de grande tiragem, uns canais da bola e uns canais de rádio. Os factos também dizem que um canal de TV é controlado por um tipo do PSD, um dos diários mais relevantes (Público) é controlado por alguém que não vai à bola com este PM nem que ele leve as jolas e os amendoins, e um dos semanários de altos decibéis acaba de expor a grande trama. Outro facto diz que o Crespo acusa este governo de censura porque alguém, que não sabemos quem, ouviu uma conversa num restaurante. Claramente estes senhores têm que deixar de fazer negócios em locais públicos, eis um bom argumento para aprender a cozinhar. Se o PM tivesse convidado o Nuno Santos para um jantar lá em casa o Crespo não tinha sabido de nada. Por certo, é preciso esclarecer que o polvo pode ter poucos tentáculos mas um deles é longo e já vai em Espanha porque, se bem se lembram, o principal accionista da TVI era a Prisa. Este PM é manhoso. Os factos também dizem que tudo isto se desenrolou em Agosto, antes das eleições, e só meio ano depois é que rebentou. Tudo por causa de uma conversa de restaurante que os amigos do Crespo ouviram. E os factos dizem ainda que o masterplan do governo incluía ver-se livre do Moniz para… ele depois regressar num cargo de maior responsabilidade. Se o nosso polvo fosse só cozido com batatas não tinha metade da piada.

Vasconcelos raspado com muito molho. Este é o nosso prato para clientes que procuram máximo valor. Usamos partes menos nobres do polvo mas que picadinhas e com muito molho até parece filetes. Já passaram uns anos mas aquando da OPA da Sonae à PT eu escrevi noutro fórum sobre este desconhecido que de repente assumiu uma posição de enorme reklevância ness processo. Alguém que ninguém conhecia, vestia bem e usava generosas camadas de gel no cabelo de repente vinha para as luzes da ribalta. Na altura eu questionei-me sobre quem era este personagem, de onde tinha saído e quais eram os seus interesses. Continuo sem resposta cabal para a última questão mas é curioso que este senhor desde então tem vindo a assumir uma posição relevante em várias empresas de grande dimensão e, como toda a gente sabe, o dinheiro não cai do céu e este padrão de comportamento já se viu noutros lados com consequências não muito tranquilizadoras. Por certo, na ficha biográfica que a PT publica pode-se ler que o Vasconcelos se licenciou no Curry College em Boston. Eu, que vivi uns anos em Boston e tive contacto com muitíssimas universidades mais e menos conhecidas, nunca ouvi falar da Universidade do Caril.

É este o menu da semana. Eu não vou tomar posição nesta trama porque os factos são manhosos e as fontes duvidosas. Fico-me pela segunda opção do menu porque tenho especial apreço pelo lagareiro e porque, se a nossa justiça funcionasse, este menu não existia.

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