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Jardim Siciliano. A rábula da semana veio horas após eu ter publicado o último post. Ainda pensei em escrever um post scriptum mas, porque o conteúdo era demasiado rico, acabei por deixar para a abertura desta semana. Na sexta-feira passada o Alberto João Jardim veio comparar Portugal à Sicília. Cada linha das declarações é melhor do que a outra. Há para todos os gostos. O separatista, “o que se passa na Sicília Hispânica é problema daquela gente”, digo eu desde que esses proscritos continuem a transferir fundos para a república das bananas do Alberto João. O democrata, “Este país precisa de disciplina democrática (…) depois de tudo o que se passou, em Inglaterra o partido do poder continuava no poder mas tinha mudado o primeiro-ministro. E é assim que se faz nos países democráticos”. Obviamente, de cultura democrática sabe o Alberto João que há anos que usa o aparelho do Estado para se eternizar no poder, folhetim de regime incluído já que estamos a falar de liberdade de expressão e ingerência em orgãos de comunicação social. Quero pensar que, para o presidente Jardim, a melhor forma de evitar ser acusado de ingerência é declaradamente assumir propriedade dos orgãos de comunicação social. E continua o Alberto João com “eu gostava é que aparecesse o senhor Jesus Cristo para meter juízo a estes tipos todos”. Quê?!?!?!? O senhor Jesus Cristo, que ao contrário do doutor Jardim, nunca tirou licenciatura, devia era distribuir uns pães daqueles que ele sabe multiplicar porque com a boca cheia esta malta pelo menos estava calada, que eu já não os posso é ouvir. Para resumir, que isto já vai longo, para lições de democracia e liberdade de expressão, falem com o Alberto João. A única coisa que o homem disse acertadamente foi “cada povo tem aquilo que merece”, imagino que o da Madeira também.

Constâncio no BCE. Outra notícia relevante da semana foi a nomeação de Vítor Constâncio para uma das vice-presidências do Banco Central Europeu. Quando algo deste género acontece há sempre uma malta que se põe em bicos de pés, e como o Constâncio não se pôs, o Sócrates não quis deixar passar a oportunidade. Foi uma vitória da democracia Portuguesa, disse ele. Os jornais nacionais, aliás tal como os internacionais, dizem que foi a pressão da Alemanha porque, com um PIGS* no BCE, é quase garantido que o próximo governador do BCE será o alemão Weber e não o italiano Draghi. Humm, deixa-me pensar em quem devo acreditar. No Sócrates e no extraordinário mérito da diplomacia portuguesa, ou nos jornais e no poder específico da Alemanha na UE? Diga-se de passagem que, para todos os efeitos, e apesar do Weber ser um mau governador obcecado com o combate à inflação, é melhor que ter lá o Draghi que tem as mãos sujas em toda a tramóia da Grécia enquanto vice-chairman da Goldman Sachs. Pelo menos o Constâncio manteve a decência ao afirmar que para estes lugares as pessoas não são nomeadas tanto pelo mérito individual como pelas implicações políticas.

Directas no PSD. O PSD vai eleger um novo líder, para aí o vigésimo dos últimos 10 anos. O PSD é o Benfica do nosso futebol. Dinheiro a rodos, queimam treinadores como quem come tremoços e no final ganha o Porto (ou talvez o Braga, vamos ver). E isto tem ainda mais piada quando olhamos para os candidatos, pelo menos no PSD parece que são sempre tirados das anedotas da minha infância. Está um inglês, um francês e um português… No PSD temos sempre o gajo do aparelho e da continuidade (Aguiar Branco), o rebelde (Passos Coelho) e o apolítico (Rangel), que só pelo facto de ter apenas um apelido já se pode afirmar como um gajo que nem sabe bem o que é a política e se candidata a um cargo político contra os políticos. É assim como dizer que eu quero ser jogador de futebol porque só quero jogar ténis. Prevejo que antes do fim da época haja nova chicotada e mais umas directas. Quem esfrega as mãos é, naturalmente, o Portas. O Sócrates não esfrega as mãos porque, como todos sabemos, um polvo tem tentáculos e não mãos.

Quatro vezes dez por cento. Termino com dois números, porque foi assim que me ensinaram nos cursos de comunicação. Na semana em que Portugal atingiu os 10% de desemprego, soubemos que os nacionalizados portugueses quadruplicaram nos últimos anos. Eu, se fosse ao Sócrates, saía de cena, metia um desses nacionalizados como relações públicas e deixava-o falar livremente. Esses gajos só podem estar a ver um jardim luxuriante onde todos os outros vêem um monte de merda. Pelo menos podia ser que o país ganhasse em auto-estima, ou então que ficássemos como a Madeira, que diz o Alberto João que é um paraíso na terra.

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