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Not in my backyard - brnd.ws

Not in my backyard

Not in my backyard. Na semana que passou foi apresentado o PEC, Plano de Estabilidade e Crescimento. Eu não quem baptizou estes planos mas, olhando para as economias portuguesa e europeia na última década, há que reconhecer que tem sentido de humor. As reacções nas últimas semanas ao anunciado PEC revelam a essência da natureza humana a que os ingleses alcunharam de NIMBY, ou seja, not in my backyard. O caso é frequente, toda a gente quer um Estado mais leve, mais eficiente e que cobre menos impostos, mas quando confrontados com medidas concretas para reduzir a carga fiscal e o peso do Estado na economia, quase ninguém as apoia. E como na política escasseiam personagens que, como se diz em bom português, os têm grandes e no sítio, estes PEC continuam a ser uma farsa. É por causa do sídrome NIMBY que o PSD passa um mês a criar comissões de inquérito e a deitar as mãos à cabeça pela liberdade de expressão e na primeira oportunidade de que dispõe, dá mostras ao país de como se trata o assunto no partido – com expulsão. E é também por causa do NIMBY que toda a gente aprova o PEC mas depois exige mais milhões para as regiões autónomas, ou autarquias, ou vá-se lá saber que mais. Todos os sacrifícios soam bem desde que não afectem o meu mundinho.

Cavaquês. Quando na semana passada fiz o paralelo entre o futebol e a política não podia imaginar que o PR iria dar uma grande entrevista em grande estilo, e o melhor estilo de Cavaco Silva é muito semelhante ao do treinador Octávio Machado nos seus tempos áureos. Se repararem, o cavaquês do PR parece português mas não é bem. Porque quando alguém fala português a gente entende e quando o PR fala em cavaquês a malta intui o que ele quer dizer mas ninguém realmente tem a certeza do que ele está a falar. Aliás, tal como acontecia quando Octávio Machado falava e algo não muito diferente do que quando os bebés começam a falar e as mães parecem entender tudo. É mais fachada do que outra coisa, ninguém entende nada mas não queremos dar parte de fraco e por isso tentamos intuir. E parece consensual intuir que o PR acha que o PM é mentiroso e que, como consequência, se deveria demitir. E intuimos também que ele se vai recandidatar e, a menos que o ameacem de partir uma perna, ele não vai dissolver o parlamento. Mas vá-se lá saber se o que nós intuimos é mesmo o que ele quer dizer, porque o cavaquês é uma língua unipessoal.

O supérfluo da cultura. Vem em letras pequeninas no jornal mas a sua relevância extravasa a pequenez do facto relatado. Na Câmara de Torres Vedras gerou-se uma algazarra porque o presidente assinou a aquisição de uma obra de arte pela qual a autarquia vai pagar 150 mil euros. Diz a oposição que a despesa é supérflua no actual contexto de crise. Claro que a oposição não considera supérflua os 5 milhões de euros que o ministro das finanças apelidou, e bem, de money for the boys. E seguramente a oposição não acha supérflua a despesa em rotundas e embelezamentos semelhantes que todos os anos vemos ser eregidos nas imediações de quaisquer paços de concelho que se prezem. E não considerará supérfluos ainda os milhões gastos em representação e outras metáforas do género com que as autarquias nos brindam todos os anos para justificar um abuso visível do erário público. Mas como falamos de cultura, 150 mil euros é uma despesa supérflua, porque à boa moda salazarista, quanto mais ignorante for o povo mais fácil é governar.

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