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Veio o lobo... e comeu - brnd.ws

Veio o lobo… e comeu

Jorge no país das maravilhas. O Jorge Miranda deve ter caído nalgum buraco que o levou ao país das maravilhas em que ele vive agora. No país das maravilhas do Jorge Miranda não há discriminação, toda a gente tem os mesmos direitos desde que se comporte como o Jorge Miranda acha. Entretanto o Jorge Miranda voltou ao país real mas ainda está a delirar. Num desses delírios ele disse achar que, apesar do casamento homossexual ser inconstitucional, na actual lei “não há factor de discriminação. Os homossexuais têm todos os direitos dos cidadãos portugueses, inclusive o direito de casar. O que não podem é casar com pessoas do mesmo sexo.” Não fui buscar estas aspas a nenhum folhetim satírico, a fonte é séria. Este argumento tem um conteúdo extraordinário. Para o genial Jorge Miranda, a Inquisição também seria constitucional, uma vez que não havia factor de discriminação. Todos os cidadãos tinham liberdade religiosa, desde que professassem o catolicismo. Felizmente para o Jorge Miranda, a liberdade de expressão é um direito constitucional (dizem que sim), senão já alguém lhe tinha cortado a língua por senilidade ou estupidez natural.

Na mouche. Ou, como dizia um professor meu que não gostava de estrangeirismos, na mosca. A morte do Snake, o MC morto a tiro por um PSP, é obviamente um caso sério, muito sério. Mas não podia discordar mais dos que saltam já para a tragédia, baseando-se em declarações das únicas pessoas que até agora falaram que foram familiares e amigos da vítima, que naturalmente acham que ele era um santo. Muito santo não devia ser porque para passar quatro anos na prisão em Portugal é preciso algo mais do que fazer milagres. O primeiro facto relevante é que sabemos agora que o Bloco de Esquerda acha que a polícia deve (tem que?) andar desarmada. Senão alguém que explique as declarações da deputada Helena Pinto que diz querer saber que medidas vão ser “implementadas junto das forcas de segurança para que não se venha a repetir comportamentos.” Portanto, isto da polícia andar com pistolas, apontá-las e até dispará-las é inadmissível. Toda a gente sabe desde o tempo do António Guterres que o diálogo é a melhor forma de resolver problemas. Mas como todo o bom político fala sobre tudo sem saber de muita coisa (os congressistas do PSD também), ninguém precisa que se conclua o inquérito. Todos caem em cima da polícia quando deixa passar em branco um anónimo terrorista da ETA numa operação stop e caem também em cima dela quando abatem um tipo que esteve quatro anos na prisão porque, de acordo com a família, ele era um santo. Menos decibéis e mais atenção aos factos seria um bálsamo. Mas isto é política e, como tal, é quase utópico pedir que deixem discorrer o inquérito e aguardem pelas conclusões.

Metabusca. Eu tenho um carinho especial pela metafísica porque, tinha eu 11 anos, espalhei-me ao comprido a tentar analisar um texto sobre uma espingarda metafísica. Claro que, com 11 anos, eu mal sabia o que era a física, quanto mais a metafísica. Mas com a idade fui aprendendo da física, da metafísica, e do meta propriamente dito. Por exemplo, qualquer meta-coisa tem uma limitação natural, que é a coisa em si. Esse é o problema das metabuscas da PJ, é que fazer buscas para entender as buscas só dá resultados se se souber o que se anda a buscar, para quê e, sobretudo, porquê. Um documento timbrado em casa do doutor Vara dá origem a uma metabusca, mas anos de violação de segredos de investigação nunca originaram qualquer metabusca. Porquê? Alguém sabe realmente o que anda a buscar?

Saldos dementes. Ser louco é cada vez mais de borla. Antes ser maluco era uma coisa séria, tão séria que não se usavam eufemismos como incapacitado ou desfavorecido. Não! Um gajo era maluco, louco, pírulas, demente. Mas tudo mudou, e agora se eu como sofregamente, ou bato na mulher, ou tenho desejos de uma rapidinha todos os dias sou demente. Mas há mais, muito mais, no DSM-5 (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). Aconselho a leitura porque ser demente hoje está em saldos.

Lei da rolha. Já não se pode ouvir falar da lei da rolha, mas não podia deixar de mencionar a tragicomédia do PSD. O Santana, que tirando quando fala de futebol só costuma dizer disparates, esta semana acertou. Estes senhores, que falam sobre tudo, calaram-se quando a mudança de estatutos foi aprovada. Foi sair porta fora do congresso (literalmente) e são todos umas virgens ofendidas. Mas melhor ainda, depois veio a guerra para saber quem era a mais ofendida das 3 virgens. E é como a história dos 3 porquinhos. O José fez uma casa de palha, disse que não concordava e que, se calhar, se devia repensar a mudança. Veio o lobo e a casa foi abaixo. Então o Pedro fez uma casa de madeira, disse que não era se calhar, que era preciso mudar já no próximo congresso, umas semanas depois destes esclarecidos e coerentes congressistas terem aprovado tal lei. Veio o lobo e mandou a casa abaixo. Mas então veio o Paulo e disse, quando os outros dois porquinhos ainda andavam a constuir a casa, já ele se tinha indignado e o lobo não pode comer aquele que se indigna primeiro. O Paulo esqueceu-se de dizer que foi também o primeiro a sair pela porta e a ser confrontado pelos únicos que de facto estavam atentos ao que se passava no congresso: os jornalistas. E o lobo também o comeu. Vamos ver qual dos três o lobo regurgita para ser o auto-intitulado “próximo primeiro ministro de Portugal”. Como diria o doutor Jardim, cada um tem aquilo que merece.

ém

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