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Sem política desta vez - brnd.ws

Sem política desta vez

A essência da greve. Eu entendo o objectivo de uma greve como elemento de pressão durante uma negociação. Outra coisa é concordar ou não com a maioria das greves que são convocadas, que na maioria respondem a interesses minoritários de um grupo dirigente, mas entendo o conceito de greve. Agora expliquem-me a greve dos pilotos da TAP porque eu não entendo essa. Convocar uma greve a meio de uma negociação para depois a desconvocar sem aparentes resultados que não seja a perda de uns milhares de passageiros tem que objectivo? Se o objectivo é levar a empresa à ruina (ou acelerar o processo) a ideia é brilhante. Há comportamentos que me deixam entre o baralhado e o estufefacto, este acrescenta ainda o indignado. Porque os pilotos não são, de longe, aqueles que mais razões de queixa têm na empresa e com esta decisão absurda põem em risco o trabalho de gente que nada tem a ver com os caprichos dos senhores do boné.

Números e feeling. Na semana que passou foi publicado um estudo que revelava que há excesso de mortes nos hospitais ao fim-de-semana. Eu só li o título e acredito que, como em qualquer estudo, os números escondem nuances que terão que ser lidas com mais cuidado. Não sei quantos hospitais foram estudados, como foram calculados os números, quem foi entrevistado, quem são os autores, etc, etc. Já o bastonário da Ordem dos Médicos não precisa de estudos, que aliás ele acha que são um completo disparate. E como é que este senhor, que é no fundo o número 1 da sua classe, forma essa opinião? Através do raciocínio brilhante “se isso fosse verdade nós já tínhamos reparado”. Não há nada como um feeling, deixemos a ciência de lado.

Contrição. Saltou a tampa na Igreja Católica. Primeiro era um boato, que virou murmurinho, que agora se transformou num clamor. De repente há escândalos de pedofolia em todos os cantos da Igreja. O problema tem duas faces: do ponto de vista legal, justiça com todos eles que ninguém está acima dos tribunais civis, do ponto de vista da religião a questão devia resolver-se por si só. Se os crentes acreditam na sua religião, o julgamente final será o mais importante e esse não está a cargo deles. Se calhar o que eles deveriam perguntar é que tipo de religião permite que estes tipos cometam actos condenáveis pelo credo que professam sem aparente contrição.

O estado da bola. Eu não costumo falar muito de futebol mas de vez em quando há rábulas que valem a pena ser comentadas. A imagem do final da primeira parte do “jogo do título” no Estádio da Luz dá que pensar. Quando toda uma equipa de jogadores e técnicos tem receio de se meter num túnel de balneários de um recinto público guardado, alguma coisa está a correr muito mal. Se a isso se soma toda a rábula das suspensões que afinal não são e do tipo que se demite apesar de acreditar nas instituições. Já quisera o Sócrates ter essa integridade democrática, digo eu. Ou talvez não.

P.S. Não me lembro quando nem onde mas li uma entrevista da ministra da cultura que vale a pena ser lida. É dessas que vale mais do que o título.

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