Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
Scroll to top

Top

No Comments

Arquimedes, o papa e a barriga de cerveja - brnd.ws

Arquimedes, o papa e a barriga de cerveja

Debaixo de água. Tenho que confessar que não consigo acompanhar o ritmo dos escândalos em Portugal. São dois problemas – por um lado há escândalos novos com uma regularidade pasmosa, e por outro a temática é de tal forma variada que não permite manter-me a par do assunto. Ainda há duas semanas estava a estudar comunicação social em Portugal e agora sai um escândalo de submarinos. Toda a pesquisa feita até agora sobre televisões tem aplicação nula nesta nova temática. E agora vou ter que começar a estudar questões de defesa e de hidroestática e o teorema de Arquimedes. Obviamente, não é de espantar que o povo comece a desinteressar-se dos novos escândalos, simplesmente não há capacidade intelectual para acomodar tantos e tão bons escândalos em tão curto espaço de tempo. Como tal, eu gostava de pedir aos jornalistas portugueses que criassem uma bolsa de escândalos comum a todos os jornais e fizessem uma gestão integrada dessa bolsa com regras claras. Por exemplo, não deve ser publicado um novo escândalo enquanto ainda houver notícias a ser publicadas sobre o anterior. Não deve sair a público mais do que um escândalo em cada bimestre. E podem sempre pôr um prática um sistema de moeda ao ar para saber quem publica o novo escândalo em primeira mão. Desde já agradecido pela atenção.

A surdez do papa. Esta semana o Papa Bento XVI veio dizer que não se vai deixar intimidar pelos murmúrios da opinião dominante. Esta declaração revela, antes de mais, um problema sério de audição do Papa. Também prova, uma vez mais, que a igreja católica deveria repensar o princípio de eleger velhos decrépitos para o cargo. Apesar de ser um eventualmente embaraçoso para a igreja, não deixa de ser relativamente comum um tipo acima dos 80 anos ter problemas de audição. Se o papa tivesse uma audição normal teria percebido que os murmúrios são clamores ao nível de um estádio de futebol quando uma equipa marca o golo da vitória no minuto 92 na final do mundial. Quanto à declaração em tom de ameaça, o único comentário que merece é que ele se deveria preocupar mais em arrumar a casa e resolver o problema que tem em mãos to que em lançar mensagens sobre uma questão que não tem defesa possível. A opinião dominante é dominante por uma razão óbvia – porque pedofilia é crime. Os murmúrios que o papa mal consegue ouvir são uma reacção comedida a um problema sério que a igreja tentou esconder. Mais auto-crítica e menos indignação são os meus conselhos para a o papa Bento XVI. E um aparelho para os ouvidos.

Gordura é formosura? Diz um estudo publicado esta semana que os homens portugueses não estão mais magros. Eu sempre pensei que uma barriga de cerveja não fica mal a nenhum homem, sobretudo se acompanhada de uma camisa um tamanho abaixo do devido em que os botões parece que vão saltar a qualquer momento. O estudo também nota que os adolescentes não sabem quantas calorias ingerem às refeições, o que pelos vistos é um problema. Vamos lá ver uma coisa. Com os problemas que eles já têm na escola para aprender o básico, pedir aos putos que agora aprendam a contar calorias e decorar quantas calorias há em cada alimento parece-me utópico. Por outro lado, eu quando era adolescente não sabia sequer o que era uma caloria e nunca fui gordo. O problema da obesidade não é um problema matemático, é um problema físico e de alimentação. Não é um problema de contar calorias, é um problema de sedentarismo. É mais fácil pedir a um adolescente que corra atrás de uma bola durante 2 horas do que pedir que limite o consumo diário a 2000 calorias. Quanto à estatística, ela diz que metade dos homens são pré-obesos e 11% obesos.

P.S. Enquanto estava a escrever este post recebi a notícia que Eugène Terre’Blanche foi assassinado na África do Sul. Apesar do mais profundo desprezo que nutria pela personagem, o homicídio é uma acção execrável que me deixa dois motivos de enorme preocupação. Por um lado, volta a provar que na África do Sul ainda está arreigado o princípio da justiça por conta própria, o que revela descrença no poder judicial ou na independência do governo. Por outro lado, o episódio pode levantar uma onda de reacção de dimensões incalculáveis. Só espero que entre governo e oposição consigam travar essa reacção e que não se assista na África do Sul a algo equivalente ao movimento que transformou o Zimbabwe, provavelmente o mais próspero país africano no final do século passado, na mais absoluta ruína com consequências humanas catastróficas. Entretanto, os jornais portugueses parecem apenas preocupados com as consequências no Mundial de futebol. O importante é estabelecer prioridades.

Submit a Comment