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Regra de 3 simples: Blatter está para Sarkozy como Strauss-Kahn para Sócrates? - brnd.ws

Regra de 3 simples: Blatter está para Sarkozy como Strauss-Kahn para Sócrates?

Depois do presidente Nicolas Sarkozy se ter reunido com o capitão da selecção francesa de futebol e do seleccionador ter ido ao parlamento prestar explicações sobre o sucedido no mundial, o presidente da FIFA Sepp Blatter veio a público avisar que se o governo francês intervier na federação a selecção francesa ficará afastada de todas as competições organizadas pela FIFA, ou seja, europeus e mundiais. Apesar do Blatter ser um prepotente da pior espécie, neste caso tenho que saudar a intervenção por pôr as coisas no seu lugar.

O futebol é um jogo. É certo que envolve muito dinheiro mas é também porque gera esse dinheiro. Aliás, toda a questão dos prémios dos jogadores é mais uma prova da hipocrisia e demagogia que assola a política aqui e, pelos vistos, em toda a Europa. Se os jogadores ganham milhões é porque alguém os paga e se os Estados europeus se sentem incómodos com isso o único que podem fazer é tratar os clubes como qualquer outro negócio. Ou seja, desde que não haja dinheiro a circular desde o Estado em direcção a clubes de futebol e até mesmo à federação, o Estado tem é que estar calado porque é tão justo um jogador ganhar milhões em salário, como é um actor ganhar outro tanto por um filme ou um empreendedor tornar-se bilionário graças a uma ideia genial. Cada um à sua maneira usou o seu talento para subir na vida e o Estado só tem que cobrar os impostos relativos a esse rendimento e agradecer o facto desse cidadão pagar impostos nesse país. Como os prémios dos jogadores vêm das receitas do mundial e esta é uma competição privada que vive da fama dos jogadores, estes têm todo o direito de cobrar pelo tempo que aí passam.

Mas não é a isto que eu vou. Quando ouvi a declaração da FIFA em resposta à triste rábula da selecção francesa fiquei a pensar. Tal como a FIFA pôs em ordem o governo, afastando-o dos assuntos em que não é competente, não haverá por aí algum Sepp Blatter da gestão de crises económicas que faça o mesmo com o Sócrates? Vamos ser sinceros, a gestão desta crise económica em Portugal tem sido um dos maiores desastres políticos que eu vi em Portugal desde que eu me lembro da política portuguesa. Pior que o pântano do Guterres. O governo reagiu tarde e não aprendeu com os erros porque a cada novo problema respondeu sempre a reboque dos acontecimentos e quase sempre com más decisões que têm um escasso impacto positivo no curto prazo e potencialmente um desastroso impacto negativo no longo prazo. Afinal, trata-se de gerir um ciclo eleitoral e não um país, não é correcto camarada Sócrates e Cavaco Silva?

Quando se pensa em crises financeiras pensa-se no FMI. Tal como a FIFA, o FMI começa por F e está longe de ser uma organização perfeita. Mas, tal como a FIFA se vai muito lentamente adaptando às novas realidades do futebol, também o FMI se vai muito lentamente adaptando à nova realidade económica. E tal como a FIFA com as suas imperfeições gere melhor o futebol do que qualquer governo, também o FMI com todas as suas imperfeições será capaz de gerir melhor a crise em Portugal do que o nosso governo. É como se nós fizéssemos outsourcing da gestão da crise. O governo pode continuar a cortar fitas e dizer os disparates que continua a dizer mas o Strauss-Kahn é que trataria da gestão da crise.

Daí a minha regra de três simples. Blatter está para Sarkozy como Strauss-Kahn está para Sócrates. Fica a sugestão.

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