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O Pai Tirano - brnd.ws

O Pai Tirano

Na Pública do passado fim de semana vinha publicado um perfil do CEO da PT que me deixou a pensar sobre as empresas e gestores portugueses e as razões pelas quais eu decidi emigrar. Quem lê o artigo fica a saber que Bava é um gestor de perfil pai tirano. Ele manda, não pede, liga aos empregados durante a madrugada, controla tudo, despede quem se põe no caminho. Como bom pai tirano, é um homem de família e religioso. Quando li o artigo fiquei a pensar se, como se diz, os portugueses têm realmente uma psicose que os leva a abraçar dirigentes de perfil ditatorial e paternalista ou se simplesmente os jornais não acham interessante publicar artigos de dirigentes com outro perfil. Invariavelmente, quem faz capas de jornais são gestores deste tipo, a começar pelo Belmiro de Azevedo que possivelmente tem feito escola.

O mote do Bava parece ser “é bem sucedido quem comete menos erros”, uma atitude que tem valido a Portugal anos de atraso e dependência do Estado. Os países evoluem através do empreendedorismo e da inovação. O grosso da inovação vem das pequenas empresas, daqueles que decidem arriscar num novo produto ou serviço. Para inovar é preciso falhar muitas vezes e a cultura de risco é o grande motor das principais economias. Em Portugal, infelizmente, há uma enorme aversão ao risco, o que nos leva a apoiar-nos no Estado ou em empresas tipo Estado em busca de conforto. Parece que o Bava vem dessa escola. Quanto menos se arrisca menos erros se comete, isso é quase uma certeza. Quanto menos se faz menos se erra. O segredo está em aprender dos erros. Ao contrário do Bava, eu penso que é bem sucedido quem mais e melhor aprende dos erros.

Lendo o artigo da Pública diria que o Bava é melhor chefe que gestor. Um chefe manda e espera que os outros obedeçam, um gestor influencia e espera que os outros o sigam. Parece insignificante a diferença mas não é. O gestor é inspirador, o chefe ameaçador. Quando eu andava na universidade a aprender gestão eu e os meus colegas esperávamos que esta cultura de chefia fosse lentamente substituída por uma cultura de gestão, à medida que a nossa geração fosse chegando a lugares de liderança. Mas essa mudança devia estar a acontecer e não se vê, antes vejo muitos dos que criticavam os chefes a imitarem-nos.

Eu tenho clara uma coisa. Quando se trabalha num ambiente de gestão nunca mais se quer voltar ao ambiente de chefia. Mas quando não se conhece melhor, talvez o Bava pareça uma boa opção. Afinal, ele até distribui flores às empregadas e dá umas bolsas de estudo. A melhoria da qualidade de vida quando se trabalha numa cultura que privilegia o risco, a aprendizagem e a responsabilidade é abismal e, em última análise, a principal razão para a minha fuga do país. Mas quero recusar-me a pensar que em Portugal não existem bons gestores – talvez apenas não cheguem aos jornais. Seria uma óptima notícia se começassem a aparecer.

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