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Excessos - brnd.ws

Excessos

Ontem ficámos a saber que o excesso de sal no pão passa a dar multa. 14 gramas por quilo é o limite. Conhecendo o zelo da ASAE quando se trata de fazer cumprir a lei, é bom que os padeiros do nosso país calibrem bem a balança ou da próxima vez que a ASAE encontrar uma amostra com 15 graminhas por quilo de sêmea vão ser prontamente notificados para o pagamento dos 5,000 euros de multa. Convenhamos que 5 mil euros por grama de sal, mil contos dos antigos, é muito dinheiro.

Pergunto-me se não poderíamos criar uma lei que regulasse os atrasos na justiça da mesma forma. Definem-se prazos e por cada diz de atraso, cá vai uma notinha de 5,000 euros. E já agora ponha-se a ASAE a fiscalizar os atrasos, que eles são bons nisso e rápidos a sacar o bloco de multas.

Quando estava no Brasil as pessoas riam-se de cada vez que saía uma lei de grande impacto. Gerava um grande ruído mediático nas primeiras semanas e depois lentamente morria no esquecimento e tudo voltava ao normal. Toda a gente sabia disso e ninguém se incomodava. No reverso da medalha, todos sabiam que uma nova lei era mais uma desculpa para a polícia passar uma multa, aumentando assim a arbitrariedade das forças da lei. Como me dizia um amigo, “quando a polícia me pára eu sei que vou levar uma multa porque há sempre alguma lei que eu estou a violar e que só ele conhece”.

Entretanto em Nova York foi lançada uma nova campanha de higiene em restaurantes e cafés da cidade. Soa familiar? Não foi criada nenhuma ASAE e o processo arrancou com inúmeras sessões de sensibilização (educação) e esclarecimento sobre os objectivos da iniciativa. Em vez de multas foram criadas classificações que os estabelecimentos terão que afixar de forma visível. Temos assim os limpos, os menos limpos e os fujam daí, que desde que garantam mínimos de higiene podem manter-se abertos. E mais, quando alguém receber uma letra B ou C (A é o máximo) podem recorrer e recebem uma nova inspecção antes de serem obrigados a afixar a nota. Ou seja, o objectivo é que todos possam ter um A. Mas sem fechar portas a estabelecimentos que, por razões de custos ou clientela, preferem manter mínimos de higiene, incluindo por exemplo não ter uma casa de banho.

Num país que tem tantas dificuldades em fazer cumprir a lei, continua a espantar-me este frenesim legislativo que cria um excesso de leis que ninguém cumpre. Não seria melhor primeiro fazer cumprir as leis que já temos antes de legislar sobre assuntos banais que podiam ser resolvidos com acções educativas?

Comments

  1. Rui

    Existe uma ASAE nos USA faz décadas, chama-se U S Food and Drug Administration.

    Qualquer dúvida http://www.fda.gov

    • A FDA tem competências diferentes da ASAE, eu diria que o Health Department em cada estado é mais comparável à ASAE. De qualquer forma, dentro do tom irónico, a crítica não é dirigida à ASAE mas aos excessos legislativos e de zelo de quem nos governa. Eu, como provavelmente a maioria das pessoas, não gosto de baratas na minha comida mas acho que se ultrapassa um limite quando começamos a legislar (sem sequer educar) sobre sal. Será que o pão com uns gramas de sal a mais é mais perigoso para a saúde do que um hamburguer com batatas fritas e coca-cola? E deveria o parlamento legislar sobre isso?

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