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O Portugal de Portas - brnd.ws

O Portugal de Portas

Paulo Portas está de visita aos Estados Unidos, naquela que é a segunda visita de uma figura de Estado portuguesa ao país em menos de um ano (Cavaco Silva esteve por cá em Novembro). E para descanso dos portugueses, Paulo Portas pôde constatar que de há um ano para cá “a percepção sobre Portugal melhorou consideravelmente“. Tudo responsabilidade de Paulo Portas, claro está, que se tem esforçado por descolar Portugal da Grécia.

Infelizmente para Portugal, a percepção de Portas pouco ou nada tem a ver com a realidade. Para os americanos (e estou certo, para o resto do mundo), Portugal significa duas coisas:

  1. País periférico da zona euro com graves problemas de insolvência – tal como a Grécia
  2. Parte menor do bloco dos PIIGS, cuja irresponsabilidade passada pode levar à destruição do euro e a uma recessão mundial – tal como a Grécia

Se alguma coisa mudou de há 3 ou 4 anos para cá, é que mais americanos sabem hoje que Portugal é um país periférico da zona euro.

Cavaco Silva e Paulo Portas têm-se esforçado por fazer passar a imagem de Portugal como o aluno bem comportado que nunca sai da linha e obedece sempre ao professor (sim sra. Merkel) – algo que já vem dos tempos de Cavaco Silva como primeiro ministro. O problema que parece escapar aos governantes portugueses é que ninguém quer saber dos alunos medíocres, sejam eles bem educados ou não. Na hora de fazer as contas a mediocridade tem um preço – o chumbo – e o bom comportamento, como toda a gente sabe, conta pouco para a nota.

Quando os investidores olham para Portugal vêem um país incapaz de fazer reformas estruturais, incapaz de controlar o défice e incapaz de pagar a dívida. É assim que os americanos vêem Portugal, por muito que isso doa a Paulo Portas. Aquilo que Paulo Portas parece não entender é que ninguém quer saber de estabilidade governativa e bom comportamento enquanto Portugal não resolver o problema fundamental da economia. Para além do mais, não há nada pior do que apontar para o pior aluno da turma e dizer que ele é pior que nós. O bom comportamento pode ser um meio mas nunca será um fim em si mesmo.

Em vez de fazer road shows a tentar posicionar Portugal como a penúltima economia da zona euro, Paulo Portas e o governo deviam concentrar-se em resolver o verdadeiro problema – a economia.

PS. O artigo do Público acaba num tom de comédia quando diz que os Estados Unidos poderão estar interessados em aprender com Portugal a promoção da cooperação partidária. Não só a ideia em si é cómica (seria interessante saber quantos congressistas ou senadores sabem quem é Paulo Portas) como o sistema político americano é completamente diferente do português, a começar pelo facto de não ser um sistema parlamentar. E claro, a “cooperação” em Portugal é mais fácil quando existe uma maioria parlamentar.

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