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Qual o Futuro de Portugal? As respostas que não ouvi dos manifestantes Anti-Austeridade - brnd.ws

Qual o Futuro de Portugal? As respostas que não ouvi dos manifestantes Anti-Austeridade

Parece que as manifestações deste fim de semana por todo o país conseguiram passar uma mensagem com eficácia. “Estamos descontentes com a austeridade”. Dah! A outra mensagem que pelos vistos passou bem foi “vamos correr com este governo”. A melhor prova disso é que o António José Seguro tomou nota e passou agora a ser anti-austeridade, anti-troika e anti-tudo-o-que-seja-impopular. Não sei se os manifestantes perceberam isso mas é evidente que o PS foi o único vencedor destas manifestações, porque desde já o resto da populaça, aquela que paga impostos e não tem acesso aos “jobs for the boys” vai continuar exatamente na mesma. Eis porquê.

Neste momento há apenas uma alternativa à austeridade – mais e maior austeridade. Porquê? Porque, ao contrário do que dizem o BE, Mário Soares e agora António José Seguro, Portugal não tem dimensão nem credibilidade para renegociar o acordo com a troika e o FMI. A alternativa é romper o acordo e ficar, como outrora, orgulhosamente sós. Isso significa fora do euro e, salvo milagre, sem apoio do FMI. Com ou sem apoio do FMI os mercados não nos vão emprestar dinheiro e como nós continuamos a ter um défice público, a única solução é impor ainda mais austeridade. Claro que a saída do euro vai ajudar as exportações, mas isso não vai produzir resultados visíveis no curto prazo e ao mesmo tempo vamos sofrer com inflação e perda acentuada do poder de compra. Eis o cenário rosa que o António José Seguro nos vai tentar vender nos próximos tempos.

Porém o que mais me surpreende neste debate do sim ou não à austeridade, é a falta de respostas à pergunta (para mim) óbvia: qual é o nosso plano? Durante as manifestações ouvi gente protestar contra as medidas do governo, recomendar medidas alternativas, ou recomendar o fim da austeridade. Mas ninguém me conseguiu dizer qual é o objetivo último dessas políticas. Para onde é que nós vamos? No mundo de fantasia do Mário Soares, BE e agora do António José Seguro nós acabamos com a austeridade, renegociamos o acordo com a troika e vivemos felizes para sempre. Como? Ninguém explica. Por outro lado, o governo diz que aumentando impostos e reduzindo poder de compra vamos criar emprego. Como? Ninguém sabe.

Como é que tiramos Portugal do buraco? Antes de mais evitando aquilo que nos meteu no buraco: despesa pública excessiva justificada com incentivos do governo à economia que é evidente que não resultaram, e dependência da procura interna que só foi possível graças ao crédito barato ao consumo, o que não é sustentável. Qual a alternativa? Mais exportações, investimento direto estrangeiro e redução do peso do Estado na economia. La Palice! Com um pouquinho mais de pormenor e começando pelo mais difícil:

  1. Redução do peso do Estado na economia. É sobretudo aqui que o governo pode atuar e, infelizmente, é onde eu deposito menos esperanças de ver algo substancial acontecer. A austeridade tem incidido nas medidas fáceis – aumento de impostos e redução de benefícios. A única forma de reduzir o peso do Estado na economia é por via de eliminação de institutos públicos (o que significa despedimento de funcionários públicos), controlo mais apertado dos gastos das autarquias (o que significa perda do aparelho do partido, seja lá o que isso quer dizer) e eliminação ou redução de PPP (que teria mais impacto político que económico). O problema destas medidas é que são tremendamente impopulares, mais ainda do que as que já foram implementadas. Mas sem isto, vamos continuar destinados à mediocridade em que temos vivido. Qual a probabilidade de vermos isto implementado? Próxima do zero, sobretudo agora que a população saiu à rua e o António José Seguro e o Paulo Portas já começaram a claudicar.
  2. IDE. Portugal tem argumentos para atrair investimento estrangeiro, nomeadamente graças ao que tem sido um grande tabu ultimamente – salários baixos. A realidade é que Portugal tem talento qualificado com qualidade e com custos inferiores aos da maioria dos países europeus. Isto é um facto que eu vejo no meu dia a dia e era bom tirarmos proveito dele. Ter um sistema de justiça funcional também ajuda, e eu já aqui falei desse assunto.
  3. Exportações. Infelizmente por más razões, eu penso que isto vai inevitavelmente acontecer (já começou). Com o poder de compra a diminuir, as empresas que querem sobreviver não pode contar apenas com a procura interna. Vão ter que exportar. Como é que o governo pode ajudar? Desde já não criando procura artificial por via de despesa pública, mas sobretudo eliminando barreiras ao bom funcionamento das empresas, incluindo o mais gritante deles todos (e eu continuo a bater no ceguinho) – uma justiça que funcione. Era bom também que os incentivos à criação de empresas fossem para aquelas que produzem bens transacionáveis, isto é, exportáveis.

Fica aqui o meu plano. Pode haver melhores e eu gostava imenso de ouvir aqueles que tanto debatem a austeridade, nomeadamente o governo e a oposição. Até hoje só os tenho ouvido falar da austeridade como se fosse um fim, o que não augura nada de bom. E como tal as manifestações apenas vão servir como instrumento para aqueles que têm a ganhar com o jogo político.

Comments

  1. hugobernardo

    Um pouco mais de luz sobre a situação da dívida em Portugal num artigo da Bloomberg. “Portugal Rally Bypasses Investors as Trading Slumps: Euro Credit” – http://brnd.ws/QiTCgE

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