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O combate à pirataria segundo os génios políticos portugueses - brnd.ws

O combate à pirataria segundo os génios políticos portugueses

A silly season continua. Algum génio do PS resolveu no ano passado que uma boa forma de combater a pirataria seria taxar tudo o que seja dispositivo de armazenamento. Outro génio do PSD resolveu que esta era uma excelente ideia e quer agora que o Parlamento a discuta. Claramente, nenhum destes génios parou por um só momento a pensar no embrulhada em que se estão a meter. Vamos dar-lhes uma ajuda e pensar quem é que vai ser afectado por esta medida. Por ordem decrescente de borrifanço:

  1. Piratas. Aquele que menos afectado fica no meio de tudo isto é o potencial pirata. Para piratear conteúdo online é hoje necessária pouco ou nenhum armazenamento. Filmes e vídeos são vistos em streaming, música é relativamente leve e fácil de armazenar remotamente na cloud, software pirata ocupa o mesmo que o não pirata. Já para não falar que alguém que se dá ao trabalho de piratear conteúdo, provavelmente vai encontrar forma de comprar um disco fora de Portugal sem qualquer taxa adicional.
  2. Empresas. Todas as empresas que usem armazenamento próprio vão ver os custos aumentar. Estou a lembrar-me de repente de bancos, seguradoras e qualquer empresa que lide com doses massivas de dados. Obviamente as empresas têm a opção de armazenar dados remotamente e dessa forma contornar a medida.
  3. Profissionais independentes. Fotógrafos, videógrafos, músicos e basicamente qualquer pessoa que trabalho com conteúdo digital vai ser massacrado com esta medida. Com a proposta de taxar ¢6 por GB, um disco de 1TB ficaria 50% mais caro do que é hoje. Estamos a falar de gente que produz conteúdo, ou seja, supostamente aqueles que a lei pretende defender.
  4. Estado. Esta é provavelmente a parte mais irónica da medida. O Estado é provavelmente o maior consumidor de armazenamento do país – finanças, saúde, justiça, todos estes serviços baseiam-se em quantidades enormes de dados armazenados localmente. Já alguém fez as contas a quanto é que o arranjinho vai custar ao Estado?

Será que algum dos promotores desta lei percebe exactamente o que está a legislar?

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