Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image
Scroll to top

Top

No Comments

Pior que a crise, o vazio - brnd.ws

Pior que a crise, o vazio

O PS tem uma “Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal”. Eu desconhecia este “laboratório” até ler o artigo do Carlos Zorrinho, coordenador do tal “laboratório”. A pobreza do texto é desconcertante. Carlos Zorrinho consegue escrever 3000 caracteres sem enunciar uma única ideia para o país e deixando pérolas como “O que é Portugal? Uma nação”, “Tudo é possível menos o evidente”, ou o meu preferido “Como sobrevivemos? Com impulso criativo. Como vencemos quando vencemos”.

Relembro que este é o coordenador do “laboratório” de ideias do PS. Desconheço quantas pessoas trabalham neste “laboratório” e há quanto tempo, mas o “impulso criativo” deste grupo é infame. Se eu quiser ser criativo, consigo extrair 3 ideias do Carlos Zorrinho para Portugal:

  1. Deixar de pagar a dívida pública: ”pagar é para nós o fim do trajeto e não o seu início. Somos navegadores. Não somos cambistas”
  2. Ignorar a indústria: “a nenhum preço um português será competitivo numa linha de montagem”
  3. Se estas 2 ideias geniais não resultarem, recorrer ao levantamento público: “aprendemos a só ferver em alta temperatura, mas não convinha termos de lá chegar”

Como programa de governo, é isto que as luminárias do PS nos propõem, na linha aliás daquilo que já tinha saído do mini-comício da Aula Magna.

O que mais me tem preocupado nos últimos 4 ou 5 anos é o vazio de ideias sobre o futuro de Portugal. De um lado temos os auto-denominados “pragmáticos” (o PS de José Sócrates, o atual governo e os seus apoiantes de turno) que são basicamente gestores de dívida e se limitam a apagar fogos orçamentais, e do outro temos a oposição (primeiro PSD/CDS e a esquerda radical sem aspirações de governo, agora a mesma esquerda com o PS às costas) que quer acabar com a austeridade, renegociar a dívida ou até sair do euro. Obviamente ninguém explica com que trunfos vamos para a mesa das negociações com os nossos credores e quem vai pagar o nosso défice (que vai além de juros e dívida) se saírmos do euro e deixarmos de pagar a dívida.

Nos últimos 30 anos ninguém em Portugal se preocupou com a modernização do país (não no sentido de construir auto-estradas, expos e estádios mas no sentido de criar uma força de trabalho produtiva e de gerar exportações) e em vez disso gastou como se fosse rico. E agora que acabou o bodo, ainda há gente que não se deu conta do quão pobre somos.

Portugal vai penar durante vários anos porque nenhum governante ou aspirante a governante tem uma estratégia coerente de refundação económica do país. Como vamos exportar mais? O quê? Com que recursos? Como aumentar a produtividade? E mesmo com uma boa estratégia, ainda precisamos de esperar que a Europa (além da Alemanha) consiga crescer.

Em vez disso, temos “impulso criativo”, “orgulho nacional” e outra baboseiras daqueles que, inevitavelmente como o destino, virão a ser os nossos governantes. O vazio, portanto.

post scriptum. Entretanto o PSD anunciou a sua própria “plataforma de debate” denominada “Uma Agenda para Portugal”. Mais detalhes vão ser anunciados hoje mas o arranque promete. Para as luminárias do PSD, esta é uma “estratégia em torno de Rui Rio”, ou seja, não é bem uma agenda para Portugal mas sim uma agenda para Rui Rio. É sempre um bom ponto de partida para uma discussão de ideias. Liberte-se o impulso criativo!

Submit a Comment