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Dos Mirós, o custo afundado e o de oportunidade - brnd.ws

Dos Mirós, o custo afundado e o de oportunidade

Em Portugal, claramente, todo o cidadão tem uma opinião sobre a política cultural do país, mesmo que tenha sido formada há cinco minutos depois de uma rápida consulta na wikipedia para perceber quem é esse Miró (Miro?) de que toda a gente anda a falar. A referência à wikipedia é um sarcasmo que não está longe de ser verdade. Das dezenas (várias) de artigos que eu li, foi impossível encontrar um argumento válido para justificar o porquê da valia do espólio, limitando-se a citar a Christie’s, que eu também posso citar na língua original: “one of the most extensive and impressive offerings of works by the artist ever to come to auction”. Claro que citar a Christie’s para justificar o valor das obras é como acreditar em tudo o que vemos no TV Shop. Eu confio mais no analista da BBC que acha que que a colecção tem 2 obras que são emblemáticas e o resto serão obras menores.

Mas não é de política cultural que eu quero falar e sim de economia. Porque sempre que eu abro um jornal português eu ouço alguém queixar-se dos gastos do governo, da austeridade e da incapacidade de gerar receita, mas chegada a hora em que o governo quer resgatar algum dinheiro do buraco chamado BPN, Portugal inteiro acha que está a cometer um crime lesa-património. Porquê? Porque temos um “tesouro” que nos caiu nos braços e agora queremos livrar-nos dele quando podemos tirar partido deste achado sem pagar mais por isso.

Depois de assistir a dias de discussão, eu descobri que esta discussão não passa de um mal entendido. Vai daí resolvi prestar um serviço ao país e resolver este imbróglio que eu penso resumir-se à confusão entre dois termos económicos:

Custo Afundado: recursos empregados na construção de activos que, uma vez realizados, não podem ser recuperados.

Custo de Oportunidade: custo causado pela renúncia do bem económico, bem como dos benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada.

A fonte das definições foi a wikipedia (bem haja!). Ou seja, o problema é que os defensores de manter a colecção acham que esta é um custo afundado – nós já pagámos por isto e agora não há mais nada a fazer por isso o melhor é dar melhor uso a estes activos.

O problema é que se está a confundir custo de oportunidade com custo afundado. Ou seja, a colecção não é algo cujo custo “não possa ser recuperado”. Pelo contrário, ao não vender a colecção nós estamos a renunciar ao seu benefício económico, seja ele qual for (parece haver também alguma polémica sobre isso). Ou seja, quando existe um custo de oportunidade, e aqui não há sombra de dúvida que exige porque temos uma casa de leilões disposta a pôr o espólio à venda, a retenção destas obras tem o mesmo valor económico que a compra das mesmas.

Portanto deixem-me pôr de novo a pergunta da política cultural à luz deste conceito económico:

Você, cidadão, aprovaria amanhã a compra por este governo de uma colecção de obras do Miró por 40 milhões de euros?

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